sábado, 17 de dezembro de 2011

A esmo

E essas pessoas com essa mania esquisita de racionalizar tudo, até os sentimentos e de perderem as estribeiras quando tem a vaidade atormentada. De fazerem da fé uma ferramenta de ganhar mais dinheiro. De transformarem tudo em praticidade até os relacionamentos amorosos. De acharem que estão salvando a humanidade por doarem moedas aos pobres, e que por isso tem o direito de dizerem: tenho um bom coração, mas não se seguram quando querem ferir alguém.
E essa gente que acha fácil criar desculpas para seus próprios erros, mas não sabe perdoar nenhuma palavra torta.
E esse povo simpático que se considera intelectual simplesmente por escreverem textos e receberem aplausos da maioria. Para eles não importa que seus textos sejam expressões da verdade, verdade esta que povoam seus corações, o que importa é ter uma maneira de brilhar aos olhos do mundo. Adoram carregar o título de intelectuais.Acho graça!!!
E essa gente complicada que tantas vezes desaprovo e que algumas vezes não me diferencio delas em maneira de ser... Essas pessoas que critico por se preocuparem em demasia com a opinião da sociedade, e eu com essa mania de me preocupar também, com essa pose de quem não está nem aí.
E eu e essa minha mania de complicar a vida. De ver problemas aonde não existem. De ser cabeça dura... De me apaixonar fácil e de complicar os relacionamentos... Eu e minha teimosia em ser mais imaginação e paixão que razão... maldita mania... coisa que aos poucos vou desaprender a ser assim...
Eis nós com nossos conflitos puramente humanos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Veneno e cura



Fraqueza, medo, egoismo, amargura... Dê o nome que quiser a essa minha atual vontade de ser um pouco má em meus relacionamentos amorosos. Eu não era assim. Eu não devia ter me tornado assim. Jamais devia ter perdido essa ingenuidade que me fazia acreditar no amor dos outros. Jamais devia ter perdido essa pureza de tentar ver o lado dos caras que ficavam comigo, o que me fazia sem que eu percebesse justificar algumas mancadas cometidas por eles. Não, eu não devia ter me tornado assim. Mas eu me tornei. Me corrompi a este jogo afetivo que nós humanos adotamos talvez por defesa, por medo de se tornar o mais vulnerável no relacionamento. Me tornei no fundo amargurada demais para entregar meu coração tão fácil, apesar de aparentemente ser tão alegre e livre de frustrações. Me tornei passional demais para me fixar em um só amor. Meus olhos em defensiva não se deixam ficar encantados apenas por um olhar. Não que eu tenha me tornado desleal (o que pretendo jamais ser em sentido algum), mas talvez por uma amargura idiota não me deixo acreditar que estou inteiramente à disposição do outro, como se eu não quisesse ficar encantada só por um romance- romance- se é que essa palavra ainda pode ser usada.
Sempre critiquei quem se corrompia a tudo isso. Sempre afirmei comigo: não vou participar destes jogos amorosos. Não vou fingir que não gosto quando simplesmente gosto; não vou ignorar uma chamada quando quero atender e ouvir sua voz; não vou virar as costas quando ele merecer;  não vou sair a noite quando ele furar comigo; vou tentar ver o lado dele atrás dessas atitudes ruins; não vou cometer mancadas; não vou buscar a admiração de seus amigos quando ele demonstrar desinteresse por mim. Não... Quem se corrompe a estes joguinhos são as pessoas comuns, e eu não sou comum. Não quero ser comum, de forma alguma. No fundo meu ego quer me fazer crer que em mim há algo de melhor, de superior. Tola ilusão! Hoje já não acredito que agir assim vale a pena. Conclusão: sou comum demais e não sei mais se no amor quero ser tão boazinha. Não, não quero ser. Sim... Eu me corrompi afetivamente. E este é meu veneno e remédio de cada dia.

sábado, 19 de novembro de 2011

Contrastes

Alguém gostar de mim é definitivamente bom. Dá aquela sensação que você é reconhecido em meio à multidão como uma pessoa especial. Que você foi encontrado... Como se a nossa carência humana fosse em fim correspondida, aliviada... No entanto, não me queira diferente do que sou e não pense que me conhece bem. Há pessoas que por gostarem de nós se sentem no direito de tentar nos mudar, como se quisessem nos moldar à aquilo que eles mais ou menos são. E é uma ilusão pensar que conseguiu este grande feito: mudar a essência de alguém.
Tudo bem... é totalmente natural ao gostar de alguém desejar que esta pessoa evolua, principalmente quando é você que está a um passo a frente e a quer ao seu lado, caminhando com você. Porém ninguém tem o direito de tentar entrar em minha vida me querendo totalmente diferente do que sou. Respeite minha essência interior, e se quiser me amar me ame como sou. Farei a minha parte para te completar, mas sem fugir de mim, da minha verdade real. Faça o mesmo, porque caso contrário siga seu caminho... sem mim...
Há outras pessoas que mal esbarram em minha vida e já pensam que dela fazem parte, que me conhecem inteiramente. Criam uma idealização do que sou e se decepcionam ou se espantam quando de repente me veem agindo diferente do que esperavam, e dizem: "nossa! Você não é assim, o que está acontecendo?" E simplesmente respondo: "eu sou assim. Não sou aquilo que você pensou que eu era ou quiz que eu fosse."
Há também o outro contraste. Me refiro a aqueles que entram em minha vida, que conseguem esta proeza e simplesmente sempre estão satisfeitos comigo, tudo o que faço está certo para eles, não discordam de nada. Nunca se queixam de mim e nunca ficam com ciúmes, e usam a tal frase como justificativa: "ciúmes são para os inseguros- e eu confio em meu taco".  Estes de alguma forma também me incomodam. Parece indiferença quando alguém jamais fica chateado ou com ciúmes. Se incomodar de menos é gostar de menos. E se incomodar demais já nem sei o que é: pode ser indignação- aquela sensação que existe uma pessoa idiota insistindo em ser idiota; ou pode ser apenas admiração recalcada- aquela inveja ao ver alguém conseguindo agir com toda a coragem que você não se sente capaz; ou esta insatisfação por alguém pode ser paixão: e isso não preciso nem explicar ou definir o que é, todos somos conhecedores deste sentimento que revela todo lado humano, animal e divino que há em nós, o que nos torna mais lindos e mais tolos.
E eu estou a procura do meio termo.

 
(Sarah El Khouri)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Uma estranha mania



A massa que convivo, que me integro e que sou me deu o diagnóstico de louca, de estranha... Eu que tanto odeio rótulos fui rotulada, e às vezes sem perceber rotulo os outros também... Por tanto ser chamada de louca hoje vejo isso como um elogio. Ser louca para mim é ser dotada de imaginação, de verdade, de coisas aparentemente sem nexo que de alguma forma tocam o meu coração. Eis que o mundo me convenceu de algo que talvez no fundo eu nem sou... Mas acho que o bom como diz Clarice Lispector, é ter loucura sem ser doida. Isso é uma arte!
Mania essa minha de não me adaptar ao mundo capitalista e ao mesmo tempo de desejar saboreá-lo por tanto precisar dele. De querer viver tão somente em prol de meus ideais.. De não me prender por um longo tempo à ninguém simplesmente por não me adaptar a joguinhos no amor (joguinhos que revelam esse medo humano de se mostrar vulnerável e apaixonado...); rejeito esses tais joguinhos que fazem com que o ser humano trate o amor como se fosse uma raíz quadrada, de transformar todo sentimento em algo prático (e eu que rejeito isso me vejo atualmente agindo assim, e isso não devia estar acontecendo... eu sei...).
Mania essa minha de dar birra contra os desafios, de não gostar do termo "o mundo é uma competição", de achar graça de quem só fala em milagres e em fé e esquecem de mencionar o amor e o bem... Mania essa minha de pagar micos tantas vezes por vontade própria. De viajar em idéias incompreendidas pela maioria. Mania essa minha de insistir em viver o que sou com toda infantilidade, carência maturidade que há em mim... Teimosia essa a minha de ser passional. Se isso é ser louco... tudo bem... então eu sou..
Acho que isso é coisa de poeta; todo poeta é cheio de teimosia, tem cabeça dura. Todo poeta é um ser naturalmente inquieto, ansioso, indignado com tanta diferença e indiferença no mundo, o que o faz ter grandes tendências por renunciar a muita coisa em prol de ideais... Todo poeta sabe o que quer e ao mesmo tempo não sabe, se confunde a muitos "quereres", se sente sem rumo e ao mesmo tempo se sente em seu lugar... Todo poeta tem um lado santo devido a essa mania de querer sentir a dor da humanidade, ao mesmo tempo é humano demais, principalmente quando tenta explorar toda a sua possibilidade em ser ainda mais humano, passional, ardente e sensível.

sábado, 5 de novembro de 2011

Projeto inacabado

Não era a primeira vez na vida em que tive uma pontinha de incerteza de detalhes de minha personalidade. Tantas vezes pensei que me conhecia bem para depois agir de uma forma totalmente diferente da que eu havia ensaiado. Em algumas vezes me subestimei para ver depois que estava enganada, que eu era capaz. Já pensei que estava sobre o controle de mim mesma até ter certos impulsos levados pela emoção. Tantas vezes me julguei fraca até descobrir em mim uma força que eu desconhecia. Muitas vezes me julguei bastante madura até me ver dando birra por coisas pequenas e vice verça. Já pensei que não cairia no mesmo erro até me ver me enganando outra vez só que dessa vez eu sabia melhor como desvencilhar da situação.
Era a minha impulsividade versus equilíbrio tentando me governar. Era meu medo combatendo e desafiando minha vontade. Eram os conflitos emocionais que me revelavam ainda mais humana Mas isso não é ruim é o que dá em mim o tempero certo. Ainda sou uma obra inacabada, não fui finalizada o que me torna ilimitada, posso sempre desenvolver em mim algo melhor (ou pior, depende do meu interesse).
Fico pensando naqueles que fazem de si mesmo um cálculo matemático. Ensaiam atos e sentimentos, nunca pagam micos, nunca se entregam demais, tratam o amor como uma equação do segundo grau, pensam mais naquilo que podem ter e dificilmente se deixam ser... Sempre sabem o que fazer, nunca perdem as estribeiras, como se fossem perfeitinhos. Como se cada ato fosse calculado. Sempre me incomodei com seus ares de superioridade. Até perceber que essa inveja minha era imaturidade. Não devo ter inveja de quem se habituou com atos calculados e sem espontaneidade. Aliás não devo ter inveja nunca...
Pessoas assim apesar de muito vencerem perderão o melhor da vida. Pensam que estão no controle de tudo. E isso os torna como uma obra acabada. Sim... Vejo-os como uma obra finalizada, como um projeto concluído. E é tão triste se terminar. Ainda estou na construção de mim mesma, e isso dá a minha vida um sentido. Sei que posso alegremente me surpreender ou então me decepcionar.
Não quero ser uma pessoa só com sentimentos práticos. Não... Admiro seres humanos, passionais, sensíveis.
Tenho o hábito de procurar nestas pessoas aparentemente frias detalhes afetivos que os revelam profundamente humanos para me cativar e satisfazer minha curiosidade.

(Sarah El Khouri)

sábado, 17 de setembro de 2011

Você prefere ser ou ter?

Há pessoas que preferem ter para ser. Só acreditam que tendo algo serão alguma coisa (grande ilusão), como se o que somos dependesse do que temos.


Outros sonhadores preferem ser para ter. Pensam que sendo pessoas melhores terão uma vida melhor, e esses às vezes são só pessoas de bem por mero interesse, a maneira de quem cultiva a fé apenas por buscar milagres e não com o intuito de querer que a religião o ensine a ser uma pessoa melhor...


Há quem almeja simplesmente ser, mas estes são raros, vivem um ideal bonito mas tantas vezes incompreendido... Alimentam bons sentimentos, vivem a fazendo o bem, são despojados, pessoas de bem.


Penso que temos que apreciar tanto o ser como o ter, mas principalmente o SER, porque é este que é real, o resto na verdade é ilusão passageira, busca de nossa alma carente, vaidosa e vulnerável. Só alimentando o que há de melhor em nosso ser teremos força pra seguir adiante, veremos a vida amplamente e com sabedoria, encontraremos grandeza na pobreza, enfrentaremos melhor os desastres da vida, seremos corajosos quando o mundo nos tratar com indiferença e seremos humildes quando o mundo nos aplaudir.


A maioria de nós vivemos hoje à margem de nós mesmos, sem profundidade... Caminhamos vazios, fúteis, mais preocupados com o que podemos ter da vida, do que com o tipo de pessoa que podemos ser na vida.


(Sarah El Khouri)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Dentro da alma

Vi que o sorriso daquele senhor,
é disfarce para ocultar a sua dor...

Vi que no olhar daquela mulher "contente",
há uma angústia que ela esconde sempre...

Vi que no olhar daquele homem arrogante,
há alguém que julga a vida frustrante...

Vi que na alma daquela mulher prepotente,
há uma mulher que sem rumo se sente...

Vou caminhando pela estrada,
aprendendo que muitos não revelam
o que há em suas almas.

Isso me faz compreender e não maldizer
o que cada um vive ou sente.
Assim, vou aprendendo a amadurecer.

(Sarah El Khouri)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Perdi o interesse em você

   O que há de errado, de doentio nessas mulheres? Pois a paixão entra mais sorrateiramente nelas quando quem elas gostam lhes trata de um jeito mais ou menos. Quando quem possui um relacionamento com elas, limita a tratá-las com indiferença publicamente,... Deus!... Que carência, que doença afetiva é essa?
   Mas sou diferente... ou tento ser... há algo de peculiar em mim neste sentido... Um homem aniquila o interesse que tenho por ele quando ele me da um “amor” de qualquer jeito. Não consigo alimentar sonhos por um cara que não me da carinho publicamente, que finge não ter nada comigo, que me trai. Nem que seja à força renego aceitar dentro de mim uma paixão por quem não me valoriza.
   Vejo mulheres escutando desculpas sem sentido deles para justificar a falta de interesse, e elas aceitam cada desculpa, e ainda criam fantasias para que eles fiquem no final como sofredores. Ora  essa!! Quando escuto as desculpas que no fundo possuem sentido algum, meu coração se aperta e começa a fraquejar... Mas aí procuro em mim uma força capaz de resistir a tudo isso... Me recomponho, viro as costas e sigo em frente deixando-o em alguma página virada do meu destino. Confesso que às vezes me surpreendo dando uma chance, mas apenas uma chance.
   Me esforço para deixá-lo em uma página virada porque  penso que a pior sensação surge quando percebemos que não estamos sendo quem somos para viver à sombra do amor de alguém, para viver em função do outro.
   E eu perdi o interesse por você... 
   Lembro-me que você se surpreendeu quando eu lhe disse: “não dá mais pra gente ficar juntos, pois com você vou ter um amor de qualquer jeito e eu não quero isso para mim.”.  Aos poucos, bem aos poucos fui perdendo o interesse por você. Somos só amigos hoje em dia, mas no fundo temos uma amizade frágil, não é mesmo?
   Perdi o interesse pelo seu sorriso. Antes eu parava de fazer o que eu estava fazendo só pra te ver sorrir. Hoje não vejo mais nada em seu sorriso... Apenas dentes que se expõe.
   Perdi o interesse por sua forma lenta de falar, pelo seu jeito demorado de contar um caso. Antes eu viajava em suas histórias.    Hoje me seguro para não cair no sono.
   Perdi o interesse pelo seu abraço. Antes o mundo parecia girar devagar quando você me abraçava. Hoje não vejo à hora de você me soltar para que eu possa me dedicar às minhas obrigações.
   Perdi o interesse pelos seus problemas. Antes eu me preocupava com você.  Hoje me preocupo só um pouquinho apenas, quase nada, e deixo aos outros o poder de te consolar. Egoísmo meu? Talvez... Talvez...
   Sua forma desinteressada de tratar nosso relacionamento e de me tratar me dava duas alternativas: ou eu perdia o interesse por você ou eu perdia o interesse por mim. Sem muito pensar optei pela primeira opção.
   Agora vou à procura de um novo amor. Porque apesar de tudo se apaixonar vale a pena, faz a gente se sentir vivo.

(Sarah El Khouri)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quando nos perdemos de nós mesmos

Acostumados com uma sociedade que diz: "temos que ser assim", esquecemos simplesmente de ser o que somos, de procurar ver a vida e a nós mesmos, não superficialmente, mas de forma profunda, como quem sobe aos altos cimos para ver um mundo vasto, amplo. E, assim, sem perceber... vamos nos perdendo de nossa essência... até sentirmos falta de algo, inconscientes de que este algo somos nós mesmos...

Acostumados com o limite das aparências, olhamos a margem de cada pessoa, e não ousamos ultrapassar este limite e ver a profundidade de cada um. Dar a chance a cada um de mostrar quem é, e descobrir , assim, os espinhos afetivos, os sonhos e a verdade que cada coração possue.

Acostumados com quem afirma que o normal existe, e essa regra pré-estabelecida é a certa, nos faz perder a espontaniedade, que anda lado a lado com a simplicidade- mãe da felicidade!

Acostumados em calar a nossa voz, em fazer silêncio quando devíamos falar, em nos omitir quando deveríamos dar a cara a tapa para defender o que é certo, nos faz cometer injustiças e esquecer de que vale a pena lutar por um ideal. Aliás, sabemos hoje o que é um ideal? Não... não sabemos... Hoje em dia até os raros idealistas esqueceram de vivenciar o mais belo ideal, o único capaz de curar o mundo, o único capaz de acolher almas despedaçadas, o único capaz de frutificar o deserto de nós mesmos, ou seja, o amor fraternal, que gera bondade, paciência, coragem.

Falamos em fé, mas deixamos de lado o amor...

Falamos em coragem, mas só a utilizamos em atos de violência, de crueldade...

Falamos em lutar contra a injustiça, mas só pensamos assim quando queremos vingar de alguém, e não com o ideal de trazer a paz a todos.

E assim, vamos distorcendo valores...

Alimentamos o vazio, e quando encontramos alguém que possa nos amar, que possa resgatar em nós algo de mais puro e verdadeiro, depositamos nessa pessoa toda nossa chance de ser felizes. Ficamos obcecados... nos apegamos... tentamos inconscientemente aprisionar em nossa vida este alguém ao pensar que sem ele não saberíamos viver...

Perdemos uns aos outros para a nossa vaidade de querer aparentar mais do que o outro. Nos perdemos de nós mesmos, desde que aceitamos como verdade os valores distorcidos do mundo de hoje.

Mas chega a hora de acordar.. que acordemos!

Acordemos para a verdade de nós mesmos. Despertemos para a profundidade de todas as coisas. Acordemos! E iremos perceber que a vida é incrível, que a vida vai além da matéria, que as pessoas vão além da aparência, que o infinito de tudo existe! Então, busquemos este infinito.


(Sarah El Khouri)

sábado, 8 de janeiro de 2011

De olhos fechados para a vida


Às vezes...
...na sede de ser compreendidos
a gente esquece de compreender.
E na ânsia de vencer o vazio
nos esquecemos de o preencher com o bem.

E na pressa de encontrar nos esquecemos
de procurar dentro e perto de nós.
E na vontade de não aparentarmos pequenos
nos apegamos numa vaidade tão pobre!

E no sonho de progredir, de obter êxito
esquecemos de valorizar o que já possuímos.
E na iniciativa de doar o que temos
esquecemos de doar o que somos com carinho.

E no desejo de sermos pelos outros amados
esquecemos de verdadeiramente nos amar.
E no medo de não superar o passado
esquecemos de para frente olhar.

E no desencanto de outra vez perder
esquecemos no poder de outra vez tentar.
E na dificuldade de do drama esquecer
a gente duvida de que há como o superar.

E na frustração de ver o sonho desabar
esquecemos que é preciso apenas o reconstruir.
E na dor de ver o caminho escolhido se fechar
esquecemos que há outros caminhos para seguir.

E, assim, tocamos a vida esquecidos de
detalhes que fazem toda a diferença,
de soluções tão simples e pequenas,
de realizações minúsculas, porém plenas.

Esquecemos de uma força em nós, grande e sutil.
E de um Poder Sublime que não nos deixa só,
e de gestos grandiosos, porém servis,
mas que poucos dão o devido valor...

(Sarah El Khouri)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Em busca da poesia


Deixe-me encontrar a poesia
no abraço que eu tanto aguardava,
no sorriso que para mim se dirigia,
e no silêncio que carinho revelava.

Deixe-me encontrar a poesia
nesse sol que nasce imponente,
a exemplificar que tudo pode renascer
seja na vida ou na alma da gente.

Deixe-me encontrar a poesia
no sofrimento que em mim grita.
Na dor que me faz crescer
e que me revela o que é preciso para viver.

Deixe-me encontrar a poesia
nesse olhar que agora me fita.
Nesse beijo que me foi roubado,
e deixou-me com coração disparado.

Oh!...Vida, quero encontrar a poesia
no que é simples, mas que nos torna ricos.
Nos gestos servis e compreensivos.
Na sabedoria que ilumina meu caminho.

Na capacidade humana de recomeçar,
de reconstruir o coração ferido,
e de ainda sofrendo continuar a cantar,
e de mesmo na dor crer que tudo é possível.


(Sarah El Khouri)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Te ver profundamente




Não quero conhecer simplesmente
a canção que te faz sorrir ou emocionar,
o filme que te marcou para sempre,
ou se é a dor ou a paz que te fazem cantar.

Me faça conhecer o que te arranca
noites de insônia e angústia.
O que te põe de pé, te levanta
após grandes frustrações na luta.

Me faça conhecer o que mais sonhas,
aquilo que até hoje não realizou.
Os importantes sonhos que você renunciou.
E aqueles que, feliz, você conquistou.

Me faça conhecer aquilo que resgata
o seu lado criança, menino.
As recordações que te maltratam,
que te fazem sentir frágil, sozinho.

Não quero te ver pela superfície.
Quero te enxergar profundamente.
Ver o que para você é mais triste,
e aquilo que te deixa mais contente.

Enxergar todos os espinhos afetivos
que a vida fincou em seu ser.
Ver aquilo que em palavras não é dito.
Em fim, ver quem realmente é você.

(Sarah El Khouri)

domingo, 28 de novembro de 2010

Mágico para mim



Mágico para mim é sentir, é estar, é viver.
Mágico é mais do que vencer, é tentar.
É mais do que fazer é para alguém ser
o melhor lado que em si há.

Mágico para mim é a forma
com que minha mãe me olha.
É o jeito que meus amigos verdadeiros
me amparam na dor até mesmo em silêncio.

Mágico para mim é a chuva
que parece ser o canto de Deus.
Mágico é a fé de que tudo muda,
de que a dor passa, de que passa o sofrer.

Mágico é abraçar quem eu gosto
e ver a forma com que acolhem
o meu sincero abraço.
Mágico é saber que em Deus tudo posso.

Mágico é saber que tenho o poder
de recomeçar mil vezes se preciso for;
ainda mesmo com marcas em meu ser,
marcas de decepção, de dor...

Mágico é saber que tenho potencialidades
presenteadas pelo meu bom Deus;
e que posso desenvolvê-las a maneira
da planta, que quando regada vem a crescer.

Mágico para mim é recordar
que tenho ainda muita gente para amar.
E de que a vida jamais cessa, pois ela continuará
sempre em alguma parte.

Mágico é mais do que o olho
é o jeito de olhar.
É mais do que o sorriso
é o que faz o sorriso despertar.

sábado, 16 de outubro de 2010

Me conforta


Me conforta o barulho musical
provocado pela chuva,
que me faz voltar ao passado,
me deixando silenciosa... muda,
a pensar em tudo o que vivi,
e nas pessoas que amo que partiram...
Chuva que me faz sentir
que tudo um dia pode se purificar,
a exemplo dela que ao cair
limpa o céu e o ar.

Me conforta ver os passarinhos
reconstruindo os seus ninhos
que pela tempestade foram destruídos.
E vê-los nesta reconstrução a cantar,
Como se a vida fosse simples e doce,
apesar dos pesares...
Como se a vida não baseasse jamais
em ter ou em conquistar o poder,
mas em persistir, em ser feliz, em cantar,
e de braços abertos ao mundo, rumo ao sol
voar...

Me conforta saber que eu posso tentar.
E que acima de tudo há Deus,
a nos envolver, a nos ajudar.
Me conforta saber que com Ele posso contar.
E que quando eu não souber para onde andar
Deus irá me inspirar.
E que quando eu tiver medo
Deus irá me acalmar.
Pois Ele me ama de verdade.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sempre é tempo


Sempre é tempo de recomeçar.
Pois até a água que cai da terra,
e que depois se evapora, se seca
recomeça em um outro lugar.
Ela se junta às nuvens densas
e cai do céu a nos molhar.
E depois recomeça a sua jornada,
sem jamais cessar,
ainda mesmo que ela fique tempos
sem uma chuva virar.

Sempre é tempo de compreender,
de aprender a amar e de viver.
Sempre é tempo de descobrir
a força latente em si.
Sempre é tempo de reaprender
a ser otimista e a ser feliz,
mesmo que hajam na alma
traumas, feridas e cicatrizes.

Sempre é tempo de acreditar
que se pode vencer a tudo,
ainda que seja forte a crueldade do mundo,
ainda que tentem te desanimar
e ainda que venham a te decepcionar.
E sempre é tempo de acreditar
na força que o amor e a fé possuem,
ainda mesmo que esta força raramente
venha a se expressar ou se destacar.

Sempre é tempo de recomeçar,
de recomeçar o que deixou para trás,
de reconstruir o que se destruiu outrora,
ainda que a reconstrução quando concluida
seja diferente da que foi um dia.
Sempre é tempo de escutar
aquilo que diz o teu coração,
e de nele plantar sementes de paz,
de amor, confiança e perdão.

Sempre é tempo de se despertar
para as coisas sublimes da vida,
e de valorizar o que de simples há.
E sempre é tempo de se descobrir
que a cura da dor se esconde e existe
nos momentos que se tornam lindos
quando os vimos com amor e carinho,
com olhos além do mundo, além da carne,
com olhar ampliado de espirito.

Sempre é tempo de provar
para si mesmo que tudo pode,
que tudo pode aquele
que ousa ser forte,
que ousa assumir fraquezas,
que ousa depositar toda fé
no Senhor Supremo da vida,
que ousa crer que suas mãos e pés
são capazes de escalar até montanhas,
ainda que eles estejam feridos e sangrando,
pois o que nos dá força são a esperança,
o amor, a bondade, a firmeza e a perseverança.

Sempre é tempo de recomeçar.
Por isso, não choremos o tempo
que foi aparentemente perdido,
seja porque erramos
ou porque nada construimos.

Façamos do tempo de hoje,
-do tempo de hoje-
aquilo que é bom, que é preciso.

Como consolar quem está deprimido.
Como ser do solitário um amigo.
Como estender a mão a quem precisa.
Como tentar reparar um erro cometido.
Como tentar perdoar o ofensor.
Como se aceitar e aceitar seja quem for.
Como parar para admirar a natureza ao redor.
Como acreditar em seu potencial.
Como sonhar ainda que não venha a realizar.
Como cantar ainda que esteja angustiado.
Como rir ou chorar sem se segurar.
Como se sentir sempre seguro e amado
Como dar esperanças a quem não crê no melhor.

E mesmo sofrendo sentir o amor,
e distribui-lo sem medidas pelo caminho
sem se sentir,por isso, o melhor.
Como duvidar que haja o impossível.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Aprendi


Aprendi a chorar...
A chorar em silêncio,
de olhos fechados
sem que percebam.
A chorar sem expressar,
possuindo apenas o concurso
de teimosas lágrimas.

Aprendi a sorrir...
A sorrir sem contentamento,
como quem cala a dor
e expressa só paz e amor;
a maneira da estrela que mesmo
envolta a tanta escuridão
insiste em brilhar com encantamento.

Aprendi a lutar...
A lutar até quando fico fraca.
A persistir em busca de saída
com o concurso de uma vacilante paz,
de quem não aceita só ter feridas
e deseja ser realizado algum dia,
como quem sofre e não desiste da vida.

Aprendi a me reerguer,
e a ver quem mais amo sofrer
e nisso poder fazer tão pouco...
Aprendi a buscar a força de Deus
a fim de tirar quem amo do fundo do poço.
Aprendi a valorizar mais o ser do que o ter,
e a sentir no pouco o Todo Poderoso.

Aprendi a achar também no choro
a beleza e a sutileza da vida,
pois na dor descubro a fé e o amor,
e também uma capacidade tão linda
de poder recomeçar e de resgatar
em meu ser algo que vá
trazer-me sabedoria, força e paz...

segunda-feira, 1 de março de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Felicidade na simplicidade


Deposito a minha confiança
em minha capacidade de vencer,
no poder da perseverança,
na força do amor e do bem.

Dou tudo do que eu sou
a aquilo que eu mais acredito,
à aqueles que tenho eterno amor
e a aquilo que me faz digna.

E vejo o sol lindo nascer.
E canto uma canção.
E me aproximo daqueles
que me guardam em seus corações.
E me aconchego no escuro
em minha cama macia.
E faço uma prece e durmo,
preparando-me para um outro dia.

E dou tudo de mim
em minhas obrigações.
E o estresse eu o alivio
brincando por pequenas razões.

E expresso a minha maturidade.
E resgato um pouco de minha
inocência e alimento a bondade,
para sentir minha alma rica.

E reconheço quando falho.
E a aqueles que amo eu declaro
que de atenção preciso,
que preciso de carinho.

E suspiro fundo diante
do medo que me aflige.
E o encaro às vezes hesitante,
e o venço vendo que tudo é simples.

E me esforço para não
conceder poder algum
para pessoas e suas opiniões
que tantas vezes se enganam.

E invado e toco o coração
daqueles que convivo.
E vou mais e mais apertando
nossos laços afetivos.

E aceito o quanto eu tenho
que aprender nesta vida.
E a generosidade eu a alimento,
o que me trará imensa alegria.

E, assim, vou descobrindo
o quanto eu posso ser feliz.
Percebendo que o que mais preciso
está mais dentro que fora de mim.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

De braços abertos ao mundo


Eu sei que o caminho
é longo demais...
Sei que há espinhos
por toda parte...

Sei que meu coração
é imperfeito e irá vacilar...
Sei que sentirei solidão
e que terei vontade de chorar...

Sei que nem todos irmãos
são sinceros e leais...
Sei que sofrerei decepção
e que muitas vezes perderei a paz...

Mas sei que eu tenho
toda força para isso enfrentar.
Sei que com a dor aprendo
a saber com tudo isso lidar.

Sei que com bons olhos tudo simplifica,
e que a pior complicação
em minha cabeça habita,
quando não vejo com compreensão.

Sei que o amor torna a vida
mais doce e menos dolorosa.
Sei que a fé alivia
qualquer ferida da alma.

Sei que cada irmão é
um universo muito interessante.
E que cabe a mim os compreender
e invadir este universo com prazer.

Sei que a vida nos convida
constantemente para ser felizes.
E que a felicidade também vibra
nas coisas simples da vida.

Por isso, vou cantar e sorrir.
Vou abrir meus braços ao mundo.
Vou amar, me amar e servir
ainda que meus pés se firam.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Eu posso confiar em mim!


Me dê reais motivos
para não confiar em mim.
Se até da semente pequenina
pode dela uma árvore surgir.

Se até um lagarto frágil
que no chão sempre rasteja
e que depois num casulo se fecha
virando uma linda borboleta.

Se até uma vela acesa
pode se destacar diante de
uma escuridão forte e imensa,
dissipando-a com sua luz pequena.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Esperança na dor


Nos grandes terrenos
de meu sofrimento
sempre houve um casa
de bons sentimentos.

E sempre houve um lugar
para o meu Deus habitar.
E neste grande lugar há
plantações de amor e paz.

No mar de melancolia
de minha essência
sempre houve uma ilha
de socorro e esperança.

E na escuridão que surgia
em etapas de minha vida
sempre existiram nela estrelas
que brilhavam tão lindas!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A melhor estrada


A inocência hoje se perde
em tão pouca idade.
E os idealistas se esquecem
que o melhor ideal é a bondade.

A violência hoje é alimentada,
temida, porém, procurada.
E os homens fizeram da religião
um meio de satisfazerem suas ambições.

E nós humanos andamos perdidos,
sem bons ideais, sem inspiração.
E receosos de nos sentirmos mais vazios
buscamos, ansiosos, tanta ilusão!

Até o dia de sermos destruidos
pelas ilusões por nós criadas.
E, então, despertamos convictos
de que o bem é a melhor estrada.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Almejo ser



Quero ser a mão
que enxuga essas lágrimas.
Quero ser a oração
pelo adversário.
Quero ser a palavra
de conforto para quem
se sente desanimado
e pela sorte relegado.
Quero ser os braços
que envolvem com amor
num sincero abraço
quem se sente sem consolo.
Quero ser o alívio
para quem está aflito.
E ser a força e o apoio
para quem se sente oprimido.

Quero ser o olhar
que abriga quem busca
um pouco de paz,
compreensão e refúgio.

sábado, 28 de novembro de 2009

Tão distante...


Ando tão distante.
Tão longe.
Tão longe...


Tento me encontrar
dentro de mim mesma.
E com esforço escutar
a voz de minha essência.


Ando tão longe.
Tão distante.
Tão distante...


Que às vezes me pergunto:
Onde realmente estou?
E o que será que busco?
E para onde eu vou?


O meu coração fala
tantas verdades que
eu quero e da estrada
que devo percorrer.


Ele fala da estrela longe
que eu preciso buscar,
com todo meu viver
e com o meu caminhar.


E é este meu caminhar
que aos poucos me fará
um voo alçar
para essa estrela tocar.


Essa estrela é um ideal
É uma paz diferente que sinto.
É um bem e uma busca maior
que tanto me domina.


E que nem todos compreenderão.
E é isso que às vezes me faz
sentir-me assim: distante, longe...
Ora angustiada e ora em paz.


Ah!... mas que paz...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ir além de mim mesmo



Sim... eu agora quero
o amor simplificado
a um nobre gesto
seja de palavras ou de abraços;
para que me faça, então,
sentir-me leve, viva, plena;
para que eu vá além de mim mesmo.


Eu agora preciso
não de um ato de heroismo,
nem de um gesto de compaixão,
pois não há motivos para isso.
Preciso de amor e união
que surge em pessoas que se amam
sem falsa bajulação.


Sim... eu agora preciso
de um sentimento puro
entre mim e os meus amigos,
sentimento este recíproco,
que me desligue deste mundo
e me faça sentir algo divino,
além de toda maldade e egoísmo,
além do que seja medíocre e negativo.


Quero ir além de mim mesmo.
Ir além de meu egoísmo.
Compartilhar o que sou e o que sinto.
E receber dos meus amigos
o que são e o que estão sentindo,
seja este sentir tristeza ou alegria,
mas que seja livre do que é mesquinho.

 
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